Economia

O ‘Geólogo da Apple’ e a Mineração Urbana

Imaginar e pensar sobre o futuro é algo que sempre foi uma grande ilusão para mim. Agora ainda mais, estudando o que sou apaixonado (Economia Circular e Desenvolvimento Sustentável), estou tendo mais ferramentas (conhecimento) para poder imaginar e sonhar ainda mais com o futuro.

Esta semana, participando do evento online ‘TecnoForum 2020: The Circular Economy’, o primeiro palestrante foi Petar Ostojic.

Coincidências da vida, há duas semanas venho preparando um trabalho para a Universidade sobre o caso de uma de suas empresas e por isso mesmo devo fazer uma breve descrição dele aqui para quem ainda não o conhece.

Petar é uma pessoa a ser considerada. Cada vez mais, leva suas histórias de sucesso a um ambiente internacional e é um orgulho ver exemplos da América Latina sendo reconhecidos em questões tecnológicas, industriais e de economia circular em todo o mundo.

Não somos apenas países do setor primário, também somos capazes de competir com o resto do mundo em Inovação e Tecnología e Petar deixa isso claro.

Petar está bastante adiantado no que diz respeito ao conhecimento sobre a importância da tecnologia em relação à Economia Circular, tanto que é cada vez mais uma referência a uma questão ainda muito ‘europeia’.

Há anos vem promovendo e aplicando os principais conceitos da economia circular em sua empresa, aplicando tecnologias inovadoras da Indústria 4.0 na remanufatura e reciclagem de bombas hidráulicas para o setor de mineração, conquistando diversos prêmios internacionais, especialmente pelo sucesso alcançado com seu triplo impacto: social, econômico e ambiental.

Este CEO chileno consegue explicar de uma forma muito fácil e atrativa a necessidade e a oportunidade de mudar nosso modelo econômico de Linear para Circular.

O seu excelente trabalho na multiplicação dos seus conhecimentos com base na prática, através do trabalho que desenvolve em uma de suas empresas, a Neptuno Pumps, sem dúvida ajuda e incentiva a todos nós a procurarmos esta transição de forma mais rápida e segura.

Ao ouvir a palestra de Petar na TecnoForum, entre muitas coisas interessantes, o tema ‘Mineração Urbana’ chamou muito minha atenção.

Algo que se fala com frequência é a necessidade atual de mudar o modelo da fonte de energia fóssil para a energia renovável. Sem dúvida, este é um dos objetivos do nosso século e quanto antes o atingirmos, melhor.

Mas há um tema que corre paralelo a tudo isso e que pouco se fala nos dias de hoje. De onde é que vamos tirar todos os materiais necessários para a construção massiva de toda essa estrutura de energias renováveis?

É sustentável a extração extrema de alguns recursos para criar essa estrutura?

Isso entra direto em uma discussão (positiva) que tive com minha irmã nestes dias, onde falamos sobre como não é mais útil apenas pensar em “quebrar os paradigmas” e “derrubar o que é ruim”. É preciso quebrar paradigmas aplicando uma nova solução que vem não só para eliminar e substituir um problema no presente, mas também para evitar problemas futuro. Sustentabilidade também é isso. Pensar no futuro. Caso contrário, o que geralmente fazemos é eliminar um problema presente, gerando um novo problema, talvez ainda maior no futuro (por exemplo, plástico).

Estes são os dados que Petar apresentou e que me fizeram refletir muito nos dias de hoje:

• 1 tonelada de mineração extrativa pode ser obtida aproximadamente: 5g de ouro / 200 g de prata / 6 kg de cobre.

• 1 tonelada de mineração urbana pode ser obtida aproximadamente: 150g de ouro / 3 kg de prata / 100kg de cobre.

Esta é, sem dúvida, uma demonstração clara e direta de um dos princípios básicos da economia circular: “resíduos são alimentos”.

Tendo em conta que o consumo de energia vai crescer muito devido ao desenvolvimento de grande parte da população mundial que ainda consome muito pouco, e ao contínuo crescimento demográfico, podemos facilmente interpretar que a capacidade de energias renováveis ​​de que vamos precisar será muito grande.

Por isso mesmo, dentro dos conceitos de economia circular, é muito importante entender como podemos, de forma sustentável, trabalhar essa transição.

A Mineração Urbana será um dos pontos-chave por diversos motivos.

Primeiro, porque pode estimular as empresas a trabalharem mais na logística reversa de coleta de seus produtos, transformando resíduos em matéria-prima. Dessa forma, o ‘lixo’ poderia ser reaproveitado como recursos, seja para a produção de novos produtos e componentes, ou mesmo na comercialização desses recursos como matéria-prima para a indústria de energias renováveis.

Atualmente já existem grandes empresas trabalhando em modelos de incentivo para que seus clientes devolvam seus produtos. Essas empresas não fazem isso apenas pelo ‘valor para o cliente’ que gera, oferecendo-lhes a oportunidade de pagar menos por um novo produto, mas também geram ‘valor ambiental’ ao evitar que esses produtos acabem em aterros sem qualquer tipo de controle, evitam a extração contínua de matérias-primas como única fonte de recursos, além de gerar o ‘valor econômico’, pois estarão obtendo um grande volume de recursos devolvidos muito mais baratos e com menor risco de volatilidade.

Por esse mesmo motivo, comecei a refletir sobre toda essa questão e conectar os neurônios do meu cérebro para imaginar o futuro, e como a Economia Circular também é uma boa forma de criar novos empregos.

Empregos que ainda não existem, já que se mudamos a forma como fazemos as coisas, a economia, consequentemente também mudaremos a oferta de novos empregos. No caso de ‘Mineração Urbana’, a primeira coisa que fiz foi conectar geólogos e empresas de tecnologia, e imediatamente escrevi para meu amigo de longa data (literalmente), geólogo, Gabriel Zorzi , e falei : ‘Tive uma visão e você pode me xingar se eu estiver totalmente errado, mas acho que se você começar a estudar mais sobre ‘Mineração Urbana’ hoje, talvez amanhã você possa ser até o ‘ Geólogo da Apple ‘, já que no futuro, haverá algumas empresas de tecnologia que farão desta ‘Mineração Urbana’ um grande negócio’.

E eu, que me especializando em ‘Modelo Orientado ao Uso’, que é uma tendência de ‘servitização’ da economia circular, não pude deixar de imaginar como o futuro terá cada vez mais modelos e opções diferentes de aluguel.

Se essas empresas de tecnologia aceitarem ‘Mineração Urbana’ como oportunidade econômica, buscarão automaticamente garantir que os produtos retornem a elas, otimizando o custo dos recursos. Para isso, o aluguel de produtos sem dúvida será uma bela alternativa.

Através do ‘aluguel’ o cliente tem maior flexibilidade por poder utilizar sem ter que possuir um produto, paga menos e/ou de forma mais controlada já que paga por tempo de uso e não pelo valor total do produto, e além disso, a empresa garantirá que obterá uma taxa de recuperação muito maior de seus materiais/recursos.

    O futuro ainda pode ser muito bonito, mas para isso temos que trabalhar e construí-lo juntos.

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